08/03/2005

Então é natal

Olha, as mulheres que me desculpem, mas não vou dar parabéns pelo Dia da Mulher coisa nenhuma.
As brincalhonas de plantão podem dizer que é inveja ou coisa assim. "Ah, vocês nem têm um dia só do homem". Não precisa. O homem domina o mundo, seja por força ou por estupidez. Ou seja pelos dois.
A mulher já é violentada pela sociedade - leia-se masculina e feminina - diariamente, desde que a mulher é mulher e o homem é homem. É da mulher a profissão mais antiga do mundo (mais antiga e mais estuprada). É a mulher que sofre pela família, mesmo quando esta nem era instituída. É a mulher que se dobra pra ser trocentas personagens no dia-a-dia. Nada mais merecido que um dia só pra ela, não? Pelo menos que não fosse um dia que a minimizasse. Aí sim.
O Dia da Mulher não é uma mera homenagem. Primeiro, passa pela cultura positivista. E odeio o Positivist Way of Life. Chega de ícones e símbolos. Chega de datas e nomes. Chega de fatos marcantes sem motivos e questionamentos por trás do palco. Chega dessa história ridícula, linear e progessivista.
Segundo, é uma data meramente comercial. Assim como o Dia das Crianças, dos Pais, das Mães, o Natal... Que? Alguém vai ter coragem que nossa singela sociedade ainda guarda os significados das datas comemorativas? Bem, talvez essas datas, com exceção do Natal ou da Páscoa, nem sequer tenham algum significado senão o lucro.
Não, não quero transformar as mulheres ao meu redor em coisas e em motivos para datinhas vermelhas no calendário. Já chega elas terem que se vender pra não morrer de fome. Já chega elas terem de agüentar "gostosa!", "delícia!", "tesão!" e mãos-bobas de estranho em show ou similares. Já chega elas ganharem menos no trabalho. Já chega agüentarem maridos bêbados. Ah, pô, vá a merda esses dias "especiais".
De que adianta eu demonstrar homenagem às mulheres durante um só dia do ano se nos 364 restantes eu solto piadinhas infames pra todas que passam por mim? Haja hipocrisia...
Pronto, acabou saindo minha "homenagem" às mulheres no dia delas. Parabéns, então... E emancipem-se. Sempre.

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