Axioma 1: em dados momentos, não estamos preparados para certos livros. Não adianta lê-los, a não ser puramente para gastar, ou investir, quase inutilmente nosso tempo. Se o texto não nos serve nem de base, a culpa é toda nossa, a quem falta a base de fato para sustentá-lo, justamente nós que não conseguimos deslocar e realocar pesados blocos de pensamento, e não da obra em si ou do autor, que tão bem conseguiu criá-la com uma leveza intocável e desconcertante.
Axioma 2: os objetos nos escolhem. Uma metáfora florida para dizer aquilo que nos é custoso: que temos escolhas a fazer. E durante tais escolhas, as visões são turvas, vêm aos poucos, e talvez sempre esperemos o momento mágico da epifania: é isso! Mas pode ser que seja isso mesmo, uma galhofa entre atenção seletiva e dissonância cognitiva, um querer-não-querer desgraçado, uma agonia e uma recorrência das coisas. Há uma vida e uma vontade própria nesses objetos - ou quase-objetos - que os faz sempre acenar, mandar gracejos, reaparecer, justamente quando inesperados.
Axioma 3: tudo está conectado (ou nada é por acaso). E então chega um dado momento em que voltamos àquele livro, ou é ele que retorna por vontade própria, e aí surge então uma nova oportunidade de recomeçar. Pode ser que, dessa vez, já estejamos prontos, já que julgamos termos passado por outros nós da rede, ou mesmo que eles, também por próprio querer, é que tenham passado por nós.
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