Porque teve um dia que teve um garoto que teve medo de ir na casa dum amigo na rua de trás. E a mãe-dona desse menino ainda fazia dizer "é, num vá não, fique aqui mermo". E diz que se deve ouvir os pais, porque eles sabem o que é melhor pra você. Mas se o menino não tivesse desejado dar um basta à prisão que o cercava - e se não o tivesse feito mesmo -, aí ainda ele estaria abraçado à mãe, deitados ambos na rede estendida na área, a pensarem que pode chover, a assistirem à TV, a curtirem o marasmo da tarde fria ou quente, tanto faz, desejando, os dois, uma vida diferente, sem coragem sequer de sair do canto.
E o menino acabou descobrindo caminhos. Muitos. Gente também. Muita. Acabou sorrindo, chorando, sofrendo em alguns momentos, sendo alegre em outros. Topou, caiu, bateu a cabeça no chão e na parede. Quase a partiu ao meio até. Ficou gripado, encatarrado que só, muitas, muitas vezes. Suou, ficou vermelho, tirou notas altas, boas e baixas. Fez bobagens que não deveria ter feito, e não fez outras que deveria ter feito. Mas, enfim, viveu, aprendeu a viver, saiu da rede, da área, da casa, e vai sair de outros muitos cantos mais, e ir pra tantos outros, no que depender da sua vontade.
O garoto só pede que não o lembrem demasiado da sua infância, falando de brincadeiras ou adjacências, de "como era bom aquele tempo". Porque, para o garoto, tempo bom é o de hoje. Aquele lá não foi. E, por mais que ele não acredite na felicidade, tempo bom pra ser "feliz" - entre muitas aspas - é daqui adiante.
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