"Mas vou pra lá pra me divertir. Não consigo me divertir com essa linguagem diferenciada".
Não sei se ele é normal ou comum ou sei lá o quê, ou se sou eu que sou masoquista ou diferente demais. Pois lhe disse que gosto de ir lá para "sofrer". Gosto de sair de lá acabado, de sentir minhas idéias remexidas como por um liquidificador, me sentir um merda mesmo, vendo que a vida não passa de um lépido risco no nada. Gosto de ver minha antítese na tela, ou mesmo de me sentir corroborado até, mas gosto de me ver pensando naquilo que está sendo mostrado. É a única ocasião que sinto meu dinheiro bem empregado, em se tratando de cinema. Pois me parece que ver um filme, comer pipoca, beber refrigerante e se divertir por cerca de duas horas da forma mais leve possível não é outra coisa que se render demais à sedução da facilidade. O dinheiro vai embora, fácil, fácil. E entra fácil nos bolsos dos cretinos roliudianos.
E se eu disser que alguns dos meus prediletos são Tiros em Columbine, Mar Adentro, Irreversível, Dogville, Bicho de Sete Cabeças e Durval Discos, por exemplo? Será que dá pra entender a agonia que preciso sentir na sala escura? Será que dá pra entender que a mesma agonia que quero sentir nos livros (o que eu demoraria pra sentir em uma semana, no mínimo) quero, também, sentir em duas horas? Ora, ora. Ora, ora.
Não é querendo criticá-lo - espero até que não veja esse post, pois vai me entender mal - mas prefiro estar no mundo alternativo à me render à diversão fácil e superficial do cinema vendido por combos. Você compra pipoca+refri+diversão+beijos da gatinha ou do gatinho+mão-boba+risos e piadas previsíveis e, pronto!, a noite está perfeita. Mas ir ao Iguatemi, pra mim, não tem jeito. Saio de lá mal por ter me divertido. E ir ao Dragão é bom demais. Saio de lá muito bem por ter sofrido.
"Prefiro não mexer nas minhas idéias, deixá-las quietinhas", diz ele. É medo?
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