Toda ida pressupõe uma volta, mesmo que esta não ocorra. E quem volta já não é mais o mesmo. O fato de colocar o pé fora de casa já é uma mudança, e tudo o mais talvez decorra daí, pois cada passo sucede a outro e precede o seguinte. É óbvio, mas precisa ser dito.
Ir é também uma forma de mudar a visão. É uma luz que se lança aos olhos, o que pode clarear a vista ou cegar completamente. De ambas as formas, ao que parece, o que incomoda não é a volta, mas ver que quase tudo aquilo que você deixou pra trás ainda continua mais ou menos inalterado.
A noção de tempo é difere largamente para quem vai e para quem fica.
As ruas que deveriam estar prontas? Não estão. Um metrô lendário? Continua lenda. Apresentadores de TV falando as mesmas bobagens? Continuam falando as mesmas bobagens.
Ter passado um tempo em Salvador só me mostrou como eu gostava de Fortaleza, mas é preciso notar que eu espero mais de minha cidade. Mais de muitas coisas: mais desenvolvimento, mais humanidade, mais diversidade, mais mudanças, mais gentileza... Não dá pra ficar parado. Não dá pra ver a cidade parada também.
Isso talvez tenha a ver com o que Caio Fernando Abreu já se angustiava: "Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível".
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