23/11/2011

No que se transformam as pessoas?

No que as pessoas se tornam? Essa pergunta tem me acompanhado os últimos tempos por simplesmente me assustar diante das transformações pelas quais pessoas conhecidas a longo prazo têm passado. Acho assustador. Porque, no fundo, a vontade é que uns e outros fiquem sempre do mesmo jeito - especialmente quando fomos e desejamos retornar, e esse desejo é acompanhado de encontrar tudo, ou quase tudo, do jeito que foi deixado. Nem melhor, nem pior.

O pior é saber que as pessoas são dinâmicas, principalmente os amigos, que, em constante ebulição, mudam de emprego, de estudos, de ramos de atuação, de companheiros, gostos musicais e ambiente sociais. Mudam de opinião também, mudam de telefone, de endereço, de estado civil, de cidade e estado, às vezes até de país. Mudam a própria temporalidade, a inteligência também, mudam o jeito de ser e de se vestir, de posar para fotos, de se enquadrar e de se deixar enquadrar. Muda tudo, às vezes até o que nutria as relações - que nada é infinito, tudo precisa ser cultivado.

No que se transformam as pessoas? Complicado mesmo não é não saber essa resposta. Complicado é não saber se olhar e se perguntar: e eu, no que me transformo?

3 comentários:

  1. Aê! Mudou o layout para sua única leitora! obrigada. :)

    Bom, fiquei pensando realmente no que você se transformou. Posso indicar algumas mudanças p/você, se quiser. Em troca de você também dizer no que mudei.

    Me vieram pessoas à mente com seu texto. Possíveis pessoas que mudaram p/você e que você preferia como eram antes. É engraçado porque sempre tomamos nós mesmos como centro ao fazermos essas diferenciações. Para quem nos olha também, há quem nos prefira como antes. E não sei se o "pior" é saber que as pessoas são dinâmicas. É ótimo que sejam. Estão vivas, mudam. Se a mudança as transforma numa melhor ou pior pessoa para nós, é uma consequência do nosso olhar, sempre particularizado. Seria legal ter abertura para falar das nossas percepções do outro para esse outro. No entanto, isso muitas vezes fica só em mente e não entra em prática. Algumas vezes, vai ecoar sempre um sentimentozinho de decepção, de perda. Sinto isso com alguns. Mas eles sentem de mim também... não posso exigir muito.

    Espero preservar o que tenha de melhor face a todas as mudanças. E é isso que, no fundo, gostaria que fosse preservado em quem queremos bem. Desejar tudo de volta é um jeito muito nietzscheano de viver. Faço questão apenas dos fragmentos do passado que me favoreçam uma sempre nova religação. Se não houver religação, não há mais fragmentos que hoje valham à pena.

    ResponderExcluir
  2. Nem sempre a mudança é natural. Luto para manter certas coisas, sinto que naum posso me deixar contaminar, já outras quero muito mudar, é como evoluir.
    Sobre a mudanças dos outros, isso não é um problema ou algo assustador. O que deteriora qualquer relação é esquecer a história, todo o processo de mudança que se passa lado a lado de quem se gosta.

    ResponderExcluir
  3. Elane, primeira vez que um comentário fica maior que meu texto :P

    Daniele, surpresa você por aqui! Thanks pela visita :)

    ResponderExcluir