03/02/2012

Em respeito ao artista

Em vários pontos discordo muito dela. Mas recentemente, ao discorrer suas opiniões sobre o excesso e o que dele resulta, veio à tona a frase com a qual concordo, ainda que por um viés levemente distinto: é preciso respeitar o artista. Em seu tempo, quanto à sua obra, em relação ao seu significado...

Não é novidade que a indústria cultural espreme e suga tudo do artista. E é preciso que o lucro venha no tempo mais rápido possível. O que é irônico, porque quanto maior a aceleração, maior a tendência de que a velocidade seja menor no fim da reta. Quer dizer, há um ponto ideal, na verdade, descrito no auge do gráfico de formato parabólico ou hiperbólico, sei lá, e o mesmo deve proceder com o suco que se extrai da fruta e com o dinheiro que se multiplica com a música tocada exaustivamente nas rádios. Se ultrapassamos o ritmo inicial, ou se não o atingimos em tempo hábil, então o fôlego final é pequeno.

O fato é que não é só por respeito e parcimônia, mas também e especialmente por teimosia, que não consigo gostar do último figurão ou da última banda a fazer sucesso. Não importa o quão toque bem, não importa o quão cante bem, não importa o quão sejam bons seus livros, recuso-me a consumir abobalhadamente e sem moderação aquilo que está em voga. Não é só para bancar o diferente, mas é que também preciso de tempo para degustar aquilo que mal tem sido mastigado pela maioria - ou talvez eu é que seja lerdo para enxergar a genialidade em alguns meros minutos. No fim das contas, vejo aí uma luta constante, como se todos estivessem em corrida desesperada para conseguir provar o último sabor, o mais recente recheio, a nova cobertura - o que nos remete, uma vez mais, ao ponto ideal do que tange à aceleração, às trocas de marcha e a velocidade maior a ser atingida. Dessa corrida, contudo, não participo. Percebo hoje que toda obra precisa de um tempo para ser ponderada.

01/02/2012

2011: acabou

- 1 curso de língua estrangeira
- 1 estágio docente
- 3 eventos acadêmicos
- 2 artigos em revistas
- 2 artigos em livros
- 1 dissertação, 165 páginas
- 1 projeto de doutorado
- e mais 1 vida normal inteira pra tocar

Tinha momentos que eu jurava como não ia dar. Em outros momentos, jurava que não ia nunca acabar. Mas deu, acabou. 2011 se foi, com pouco mais de um mês de atraso.

Olá, 2012! Vamos lá?