07/05/2010

Correr macio

Depois de 3 meses, uma estranheza imensa. Voltar a dirigir um carro é como ter uma extensão no corpo: uma prótese ou um novo pedaço a ter vida e a precisar ser guiado - e não isso que todo veículo pede, de fato?


 De imediato, não se reconhecem seus limites, seus modos, sua aspereza ou sua maciez. Mas é questão de tempo, de conquista. Não vou chegar aos trezentos por hora, mas volto a zunir como um novo sedan.

30/04/2010

Vida no nomadismo

Existe alguma coisa de vívido no nomadismo. Sai daqui, chega acolá. Mudar de lugar cansa, e talvez seja o cansaço o melhor índice de vida. E há algo de mórbido no sedentarismo, como se o conforto e a quietude matassem, como se fosse necessário mudar de tempos em tempos para se continuar vivo.

27/04/2010

Sobre o ir ao Rio e voltar



Imitando a Revista da Gol, mas sem nenhuma vontade de ser entrevistado também:
QUEM Paulo Victor O QUE FAZ Estudo DE ONDE Salvador PARA ONDE Rio de Janeiro POR QUÊ Visitar uma pessoa querida


E dentre tantas páginas a serem escritas e milhas a se percorrer, um desejo de um reencontro urgente.

Se toda ida pressupõe um retorno, ir ao Rio pressupõe voltar para Salvador - e isso é tão óbvio quanto ter a passagem de volta já comprada. E estar fora também pressupõe ausências. E por mais estranho que pareça, Salvador fez falta. Constituiu-se vazio, sim.

Bem poderia dizer que já gosto daqui, mas não sei se já é tempo para tanto. A falta que senti se traduz em termos de familiaridade: sensação de já estar por dentro da cidade, sendo fagocitado, construindo-a e por ela sendo construído também. O Rio de Janeiro é esmagador, assim como Salvador também o é. Mas basta que se acostume um pouco com os calos provocados por cada cidade, e logo até deles se sentem saudades. Assim como estranhei a ausência de ladeiras fanfarronas a nos tirar o fôlego de cada subida...

15/04/2010

Silêncio é de poucos e para poucos. Precisa-se de silêncio, estima-se o silêncio. Cala-se para ouvir, cala-se para refletir.

23/02/2010

Grifo meu em Salvador

Em Salvador, 38º. Calor similar ao da Terra do Sol. Que daqui se faça - ou volte a ser - um ponto de observação. Grifo Meu em Salvador.

02/02/2010

Mudando de roupa

A velha-nova roupa dá lugar a um tom padronizado. Quando voltaremos à nossa programação normal? Boa-noite.

26/09/2007

O Pacificador

"Vai jornal aí, patrão?", perguntava a ambulante no sinal, para todos e ninguém, falando a todos os carros ao mesmo tempo. "Olha só, é lançamento, O Pacificador, estão lançando, viu?", avisava, feito professora descontrolada de primário, acerda do filme que acompanhava o jornal. Pois então, era uma daquelas promoções: compre o jornal e mais R$9,90, ou R$14,90, ou qualquer coisa e noventa, você leva um DVD esperto. O emprego só podia ser recente, por isso a energia. E não pude deixar de imaginar até onde iria aquela motivação toda. Em outras palavras, quando o marasmo, a mesmice, a rotina iriam tomar conta de toda aquela cor e deitar a ambulante em tons tão cinzas quanto o asfalto, escritório seu?

29/06/2005

Desconhecido

E apareceu no meu orkut um cara que nunca vi na vida. Ou não me lembro de tê-lo visto. Querendo me adicionar como amigo.
Como não tenho o costume de adicionar todos os que se dizem friends, resolvo esperar algum tempo pra ver se eu me lembrava dele - afinal, tínhamos conhecidos em comum, ou era o que parecia.
Mas, em uma segunda visita à sua página, constato que seria difícil me lembrar daquela figura. E eis que resolvo perguntar se nós nos conhecíamos.
O problema é que, dentre os recados que já tinham deixado, várias pessoas perguntavam se o conheciam de algum canto. E eis que me dá pena. Eis que resolvo ficar calado e, quem sabe, negar, discretamente, o pedido de amizade. Porque sabe-se lá que sentimentos podem se esconder por trás desse perfil chamado... Deixa pra lá. Penso mesmo é na estima desta criatura, que talvez tenha saído pedindo amizade de todos, querendo ser popular, tadinho. Mas pouco foi atendido. Talvez assim no orkut como na vida.

21/06/2005

O preço da inovação

A facilitadora nos pede que formemos um círculo. A dinâmica: ela tem um novelo de lã, cuja ponta irá prender nos dedos. Depois, jogará o novelo para outra pessoa, a qual irá falar sobre o treinamento, sobre o que mudou em sua atuação docente, sobre suas impressões, sobre...

E o novelo começa a rodar. A pessoa que recebe, também prende um pouco da linha no dedo, fala alguma coisa e passa o novelo para outra pessoa, que irá fazer a mesma coisa. Aos poucos, uma teia vai se formando, metaforizando, previsivelmente - para os mais atentos, creio -, a instituição.

Só que todos querem passar o novelo por baixo da teia. A justificativa implícita na cabeça de cada um: iria ser mais fácil desfazer a rede ao final. Uma mulher até tentou passar o novelo por cima, mas os líderes naturais - que sempre aparecem em qualquer universo social - logo brandem suas espadas: por cima não, por baixo!

Eu, que não sou afeito a lideranças, ainda mais as não-conquistadas, não poderia ligar para aquelas vozes quando chegasse minha vez. E chegou. Falo, dou minhas impressões, blá blá blá, e lá vou passar o novelo... por cima, claro. Ainda ouço uma voz incomodada pedir "por baixo...", uma voz que se desvencilhou no ar, no tempo, na visão de que seu pedido não fora atendido, num perfeito fade out de quem não apresenta forças suficientes.

Aquilo estava me incomodando. Se eu via a teia como a metáfora da instituição, não preciso dizer que via o passar-por-baixo como a indicação clara de que todas aquelas pessoas - menos a mulher censurada - gostavam de fazer as coisas iguais, sempre iguais, pois a mudança era arriscada e ainda ia dificultar a desconstrução da rede no final. Não, eu não podia ser só mais uma peça passando o novelo por baixo; precisava mudar, arriscar, fazer diferente.

A trajetória que o novelo fez foi pra nos deixar sem jeito. Passou por cima, por baixo, e, mais uma vez, por cima de outras partes da linha. O emaranhado foi feio. Não ia ser fácil desfazê-lo. O que me rendeu ter de ouvir uma brincadeira ao final: "é esse o preço da inovação, Paulo".

01/06/2005

Oi, há quanto tempo!

Oi.
É só pra dizer que não esqueci deste canto.
Pra dizer que ando com a cabeça ocupada com outras coisas, e que logo me volto pra cá. Logo elas estarão se aquietando, e espero ter tempo e cabeça pra escrever.
Digo, também, que estou com novas experiências, estas, agora, visuais. Luminosas, sabe? Mas não quero abandonar meu sumidouro de impressões cotidianas. O grifo é meu e ninguém rouba!
Espero que, nas férias, com um tempinho a mais, eu me debruce mais uma vez sobre este espaço e possa reformulá-lo. Quero lhe dar roupagem nova. As cores e o estilo devem continuar os mesmos. Mas os cabelos...
Enfim, raros grifadores, não me esqueçam. Eu não os esqueci.