O depressivo sofre porque perdeu algo, e está consciente dessa perda. Por isso passa pela depressão. Já o melancólico sofre mesmo sem ter perdido nada, fala a filósofa na TV.
Eis que a melancolia ataca de tempos em tempos, dizendo "eu sou uma tristeza sem motivo de ser. Mas cá estou, pra te atazanar, te perturbar, te deixar mal, cheio de mal-estar".
E eis que parece não haver outro jeito de se livrar dessa melancolia chata - ou melhor, camuflá-la - senão estourar o limite do tempo, deixar a agenda lotada, sem tempo pra respirar, sem tempo pra pensar, sem tempo pra sofrer, portanto. Porque tantas ocupações assim são as únicas coisas que - perdão pelo pleonasmo - ocupam a cabeça do melancólico - além da própria tristeza, claro. E, paradoxalmente, a falta de tempo gera um ciclo vicioso: pode não ter tempo pra sofrer, e o melancólico também não tem tempo pra procurar um remédio pro sofrimento. A não ser que as reviravoltas da vida revirem tudo - desculpa o pleonasmo mais uma vez - e façam novas coisas acontecerem.
No fundo, acho que a melancolia está ligada à insatisfação com a vida. O melancólico deve levar uma vida da qual não gosta e, insatisfeito, se faz melancólico.
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Há tantas coisas que sufocam, que há momentos em que não dá pra perceber o que que sufoca. O que te sufoca, hein?
Precisando daquele abraço.
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