01/06/2011

Certo que nunca vivi tão apinhado de textos ao meu redor. Artigos soltos, livros, xérox, impressões diversas. Apinhado ando não só de textos, mas também de ideias, dúvidas, projetos, vontades e anseios, como se cada página não lida fosse um problema a se resolver e, igualmente, como se cada página lida trouxesse novos problemas, novas perguntas e novas inquietações.



Jogando o olhar rapidamente, é possível notar de tudo: livros para um estudo específico, livros variados, livros para, digamos, fins diletantes, livros na estante, livros no criado mudo, livros servindo até de base para uma coisa ou outra; xérox de livros sobre um tema específico aqui, impressões sobre outro tema ali e mais outras folhas soltas acolá. Metódico que sou, fico sempre a procurar um modo de organizar, categorizar, calar, enfim, o monstro do caos que teima em surgir por gênese espontânea. Esteja dito, há um criacionismo no universo do quarto: tanto menos se colocam as coisas em seus lugares - ainda que estes sejam inventados autoritariamente - mais elas teimam em andar e explorar os espaços possíveis. É assim que se perdem as canetas Bic, os carregadores de celular e todas aquelas coisas que somem justamente quando mais são necessárias.


Não bastasse essa galhofa, os textos gostam de ir além no que tange à bagunça a preencher nosso vazio interior de todos os dias: não apenas são fanfarrões em si mesmos, dizendo coisas e desmentindo nosso entendimento, como gozam de certa liberdade em ir e vir, em sair de sua ordem ou localização, seja lá qual for, de Z a A, amontoados em pilhas ou alinhados lado a lado. Talvez eles saibam como devem estar dispostos, afinal, já que se supõe serem mais sábios que nós, os burros a lê-los. Eu devia estar sempre aqui, não ali, é como se dissessem. Uma afinidade meio à Deleuze e Guattari.


E, assim, posso dizer: toda organização é efêmera. Deixe que cheguem mais itens, novos amigos para os textos brincarem (e eles sempre virão!), e logo a bagunça volta a imperar, feito recreio de criança. No fim das contas, iremos lá, ajeitar, podar, censurar, enfileirar pedagogicamente o universo de ideias que as letrinhas tanto querem embaralhar.

Um comentário:

  1. faltou falar dos postits
    de como tentam organizar ao passo que colaboram com a bagunça :-P

    bjs

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