17/05/2010

Letargia

Os últimos dias têm sido difíceis, e a dificuldade é só uma: falta de coragem. Pode ser que a famosa preguiça baiana esteja já me atacando, quem sabe... Ou é apenas o tempo por ora frio que me convida para uma soneca. Nos intervalos de uma rotina intensa, mente e corpo pedem descanso, pão, circo, diversão e água. Sei dessa necessidade, mas também das outras tantas, principalmente da obrigação de dar conta de certos textos enfadonhos, às vezes chatos, às vezes difíceis, às vezes os dois.

E às vezes bons, divertidos, instigantes, é claro, mas nem sempre, ou só às vezes.

14/05/2010

Desemprego zero

As loiras gostosonas dos comerciais de cerveja já não mais aparecem nos VTs. Mas que ninguém se preocupe, que emprego não lhes falta. Agora elas são atrativo - ou recheio, vai saber - de revista de tecnologia.

Que ninguém se assuste se a próxima capa da Playboy for um netbook ou um smartphone, por exemplo.

09/05/2010

Lá e de volta outra vez

Toda ida pressupõe uma volta, mesmo que esta não ocorra. E quem volta já não é mais o mesmo. O fato de colocar o pé fora de casa já é uma mudança, e tudo o mais talvez decorra daí, pois cada passo sucede a outro e precede o seguinte. É óbvio, mas precisa ser dito.

Ir é também uma forma de mudar a visão. É uma luz que se lança aos olhos, o que pode clarear a vista ou cegar completamente. De ambas as formas, ao que parece, o que incomoda não é a volta, mas ver que quase tudo aquilo que você deixou pra trás ainda continua mais ou menos inalterado.

A noção de tempo é difere largamente para quem vai e para quem fica.

As ruas que deveriam estar prontas? Não estão. Um metrô lendário? Continua lenda. Apresentadores de TV falando as mesmas bobagens? Continuam falando as mesmas bobagens.

Ter passado um tempo em Salvador só me mostrou como eu gostava de Fortaleza, mas é preciso notar que eu espero mais de minha cidade. Mais de muitas coisas: mais desenvolvimento, mais humanidade, mais diversidade, mais mudanças, mais gentileza... Não dá pra ficar parado. Não dá pra ver a cidade parada também.

07/05/2010

Correr macio

Depois de 3 meses, uma estranheza imensa. Voltar a dirigir um carro é como ter uma extensão no corpo: uma prótese ou um novo pedaço a ter vida e a precisar ser guiado - e não isso que todo veículo pede, de fato?


 De imediato, não se reconhecem seus limites, seus modos, sua aspereza ou sua maciez. Mas é questão de tempo, de conquista. Não vou chegar aos trezentos por hora, mas volto a zunir como um novo sedan.

30/04/2010

Vida no nomadismo

Existe alguma coisa de vívido no nomadismo. Sai daqui, chega acolá. Mudar de lugar cansa, e talvez seja o cansaço o melhor índice de vida. E há algo de mórbido no sedentarismo, como se o conforto e a quietude matassem, como se fosse necessário mudar de tempos em tempos para se continuar vivo.

27/04/2010

Sobre o ir ao Rio e voltar



Imitando a Revista da Gol, mas sem nenhuma vontade de ser entrevistado também:
QUEM Paulo Victor O QUE FAZ Estudo DE ONDE Salvador PARA ONDE Rio de Janeiro POR QUÊ Visitar uma pessoa querida


E dentre tantas páginas a serem escritas e milhas a se percorrer, um desejo de um reencontro urgente.

Se toda ida pressupõe um retorno, ir ao Rio pressupõe voltar para Salvador - e isso é tão óbvio quanto ter a passagem de volta já comprada. E estar fora também pressupõe ausências. E por mais estranho que pareça, Salvador fez falta. Constituiu-se vazio, sim.

Bem poderia dizer que já gosto daqui, mas não sei se já é tempo para tanto. A falta que senti se traduz em termos de familiaridade: sensação de já estar por dentro da cidade, sendo fagocitado, construindo-a e por ela sendo construído também. O Rio de Janeiro é esmagador, assim como Salvador também o é. Mas basta que se acostume um pouco com os calos provocados por cada cidade, e logo até deles se sentem saudades. Assim como estranhei a ausência de ladeiras fanfarronas a nos tirar o fôlego de cada subida...

15/04/2010

Silêncio é de poucos e para poucos. Precisa-se de silêncio, estima-se o silêncio. Cala-se para ouvir, cala-se para refletir.

23/02/2010

Grifo meu em Salvador

Em Salvador, 38º. Calor similar ao da Terra do Sol. Que daqui se faça - ou volte a ser - um ponto de observação. Grifo Meu em Salvador.

02/02/2010

Mudando de roupa

A velha-nova roupa dá lugar a um tom padronizado. Quando voltaremos à nossa programação normal? Boa-noite.

26/09/2007

O Pacificador

"Vai jornal aí, patrão?", perguntava a ambulante no sinal, para todos e ninguém, falando a todos os carros ao mesmo tempo. "Olha só, é lançamento, O Pacificador, estão lançando, viu?", avisava, feito professora descontrolada de primário, acerda do filme que acompanhava o jornal. Pois então, era uma daquelas promoções: compre o jornal e mais R$9,90, ou R$14,90, ou qualquer coisa e noventa, você leva um DVD esperto. O emprego só podia ser recente, por isso a energia. E não pude deixar de imaginar até onde iria aquela motivação toda. Em outras palavras, quando o marasmo, a mesmice, a rotina iriam tomar conta de toda aquela cor e deitar a ambulante em tons tão cinzas quanto o asfalto, escritório seu?