23/02/2010

Grifo meu em Salvador

Em Salvador, 38º. Calor similar ao da Terra do Sol. Que daqui se faça - ou volte a ser - um ponto de observação. Grifo Meu em Salvador.

02/02/2010

Mudando de roupa

A velha-nova roupa dá lugar a um tom padronizado. Quando voltaremos à nossa programação normal? Boa-noite.

26/09/2007

O Pacificador

"Vai jornal aí, patrão?", perguntava a ambulante no sinal, para todos e ninguém, falando a todos os carros ao mesmo tempo. "Olha só, é lançamento, O Pacificador, estão lançando, viu?", avisava, feito professora descontrolada de primário, acerda do filme que acompanhava o jornal. Pois então, era uma daquelas promoções: compre o jornal e mais R$9,90, ou R$14,90, ou qualquer coisa e noventa, você leva um DVD esperto. O emprego só podia ser recente, por isso a energia. E não pude deixar de imaginar até onde iria aquela motivação toda. Em outras palavras, quando o marasmo, a mesmice, a rotina iriam tomar conta de toda aquela cor e deitar a ambulante em tons tão cinzas quanto o asfalto, escritório seu?

29/06/2005

Desconhecido

E apareceu no meu orkut um cara que nunca vi na vida. Ou não me lembro de tê-lo visto. Querendo me adicionar como amigo.
Como não tenho o costume de adicionar todos os que se dizem friends, resolvo esperar algum tempo pra ver se eu me lembrava dele - afinal, tínhamos conhecidos em comum, ou era o que parecia.
Mas, em uma segunda visita à sua página, constato que seria difícil me lembrar daquela figura. E eis que resolvo perguntar se nós nos conhecíamos.
O problema é que, dentre os recados que já tinham deixado, várias pessoas perguntavam se o conheciam de algum canto. E eis que me dá pena. Eis que resolvo ficar calado e, quem sabe, negar, discretamente, o pedido de amizade. Porque sabe-se lá que sentimentos podem se esconder por trás desse perfil chamado... Deixa pra lá. Penso mesmo é na estima desta criatura, que talvez tenha saído pedindo amizade de todos, querendo ser popular, tadinho. Mas pouco foi atendido. Talvez assim no orkut como na vida.

21/06/2005

O preço da inovação

A facilitadora nos pede que formemos um círculo. A dinâmica: ela tem um novelo de lã, cuja ponta irá prender nos dedos. Depois, jogará o novelo para outra pessoa, a qual irá falar sobre o treinamento, sobre o que mudou em sua atuação docente, sobre suas impressões, sobre...

E o novelo começa a rodar. A pessoa que recebe, também prende um pouco da linha no dedo, fala alguma coisa e passa o novelo para outra pessoa, que irá fazer a mesma coisa. Aos poucos, uma teia vai se formando, metaforizando, previsivelmente - para os mais atentos, creio -, a instituição.

Só que todos querem passar o novelo por baixo da teia. A justificativa implícita na cabeça de cada um: iria ser mais fácil desfazer a rede ao final. Uma mulher até tentou passar o novelo por cima, mas os líderes naturais - que sempre aparecem em qualquer universo social - logo brandem suas espadas: por cima não, por baixo!

Eu, que não sou afeito a lideranças, ainda mais as não-conquistadas, não poderia ligar para aquelas vozes quando chegasse minha vez. E chegou. Falo, dou minhas impressões, blá blá blá, e lá vou passar o novelo... por cima, claro. Ainda ouço uma voz incomodada pedir "por baixo...", uma voz que se desvencilhou no ar, no tempo, na visão de que seu pedido não fora atendido, num perfeito fade out de quem não apresenta forças suficientes.

Aquilo estava me incomodando. Se eu via a teia como a metáfora da instituição, não preciso dizer que via o passar-por-baixo como a indicação clara de que todas aquelas pessoas - menos a mulher censurada - gostavam de fazer as coisas iguais, sempre iguais, pois a mudança era arriscada e ainda ia dificultar a desconstrução da rede no final. Não, eu não podia ser só mais uma peça passando o novelo por baixo; precisava mudar, arriscar, fazer diferente.

A trajetória que o novelo fez foi pra nos deixar sem jeito. Passou por cima, por baixo, e, mais uma vez, por cima de outras partes da linha. O emaranhado foi feio. Não ia ser fácil desfazê-lo. O que me rendeu ter de ouvir uma brincadeira ao final: "é esse o preço da inovação, Paulo".

01/06/2005

Oi, há quanto tempo!

Oi.
É só pra dizer que não esqueci deste canto.
Pra dizer que ando com a cabeça ocupada com outras coisas, e que logo me volto pra cá. Logo elas estarão se aquietando, e espero ter tempo e cabeça pra escrever.
Digo, também, que estou com novas experiências, estas, agora, visuais. Luminosas, sabe? Mas não quero abandonar meu sumidouro de impressões cotidianas. O grifo é meu e ninguém rouba!
Espero que, nas férias, com um tempinho a mais, eu me debruce mais uma vez sobre este espaço e possa reformulá-lo. Quero lhe dar roupagem nova. As cores e o estilo devem continuar os mesmos. Mas os cabelos...
Enfim, raros grifadores, não me esqueçam. Eu não os esqueci.

01/05/2005

"Feliz desaniversário pra mim"

Olha, sou eu. Sou eu quem já não dá mais parabéns aos aniversariantes - ou pelo menos a muitos poucos. E por que isso? Não sei. Chegou um momento em que já não vejo sentido em comemorar A Grande Data. Não é no sentido que a Elanutt dá, de celebrar todos os dias ao invés de um só. O meu motivo - ou não-motivo - anda lado a lado com o niilismo, senão mesmo dentro dele.
Afinal, qual o sentido de parabenizar o aniversariante? É por estar vivo? Mas a vida não é mesmo tão frágil? Não se pode morrer um dia após o aniversário? Ou no próprio dia? É por mais um ano de vida? Mas as pessoas não vivem querendo não-envelhecer, apagar o sinal da andança do tempo? É porque é o dia delas?
Talvez essa marcação niilista não esteja só. Sua solidão pode estar aplacada pela presença de um certo egocentrismo. Mas não é uma fase egocêntrica-hedonista, apenas egocêntrica. Estou debruçado sobre meus problemas, minhas responsabilidades, minhas ocupações - pensamentos e observações também. Tempo e atenção pra mim - e pra algumas pessoas próximas e importantes - não há muito, infelizmente. Talvez nem o suficiente. Até reclamações tenho ouvido, mas parece que os olhos e os ouvidos andam um pouco enfadados... Não sei. Mas o grande quê do momento é o não-vislumbre pelos fogos de artifício. Daria até pra dizer que isso se chama depressão - desgosto pela vida, olhar acinzentado pro mundo, desânimo... E, vai ver, é mesmo. Mas não vou me entupir de drogas de tarja preta para estar a par da sociedade. Não vou me medicar para ser igual a todos. Prefiro, mesmo, estar acompanhado da minha melancolia e do meu amor ao nada - pelo menos por enquanto - a desejar felizes aniversários iguais todos os anos para pessoas com quem mal falo. "Feliz aniversário, parabéns, tudo de bom, que Deus lhe abençoe, muitas felicidades, mais um ano de vida cheio de realizações, blé-blé-blé, blé-blé-blé".
Me desculpem, mas não é nada pessoal com ninguém. É só um desânimo mesmo de ligar, mandar mensagem, deixar um scrap ou sei lá o quê...

16/04/2005

o jardim da minha casa

Essa semana reparei como o jardim da minha casa está bonito. Não é um jardim de Guaramiranga ou Curitiba, mas... Ele andava sem graça, sem vida, com as flores secas já cansadas de sol. E veio a chuva para reanimá-lo.
O jardim da minha casa tem flores coloridas, amarelas, rosas, vermelhas. Tem grama em algumas partes. Tem sapo e bonecos de enfeite. Tem uma aranha de verdade que nunca sai do canto - deve ter fartura por ali. Tem pedriças e areia. Tem dois pés de jambo que já mal dão jambo. Tem plantas diversas espalhadas. Tinha um pinheiro e uma trepadeira, mas tiraram os dois. Tem varal. Tem torneira da Cagece e caixa de correio. E deve ter algum brinquedo enterrado que outrora devo ter perdido por lá.
Me deu vontade de ter uma máquina fotográfica para registrar a beleza do jardim. Ter até tenho, mas queria uma mais prática. Mas praticidade e euro são duas palavras que não combinam. Pelo menos não sem o raio da Western Union...

25/03/2005

eu e o cinema

"Mas vou pra lá pra me divertir. Não consigo me divertir com essa linguagem diferenciada".
Não sei se ele é normal ou comum ou sei lá o quê, ou se sou eu que sou masoquista ou diferente demais. Pois lhe disse que gosto de ir lá para "sofrer". Gosto de sair de lá acabado, de sentir minhas idéias remexidas como por um liquidificador, me sentir um merda mesmo, vendo que a vida não passa de um lépido risco no nada. Gosto de ver minha antítese na tela, ou mesmo de me sentir corroborado até, mas gosto de me ver pensando naquilo que está sendo mostrado. É a única ocasião que sinto meu dinheiro bem empregado, em se tratando de cinema. Pois me parece que ver um filme, comer pipoca, beber refrigerante e se divertir por cerca de duas horas da forma mais leve possível não é outra coisa que se render demais à sedução da facilidade. O dinheiro vai embora, fácil, fácil. E entra fácil nos bolsos dos cretinos roliudianos.
E se eu disser que alguns dos meus prediletos são Tiros em Columbine, Mar Adentro, Irreversível, Dogville, Bicho de Sete Cabeças e Durval Discos, por exemplo? Será que dá pra entender a agonia que preciso sentir na sala escura? Será que dá pra entender que a mesma agonia que quero sentir nos livros (o que eu demoraria pra sentir em uma semana, no mínimo) quero, também, sentir em duas horas? Ora, ora. Ora, ora.
Não é querendo criticá-lo - espero até que não veja esse post, pois vai me entender mal - mas prefiro estar no mundo alternativo à me render à diversão fácil e superficial do cinema vendido por combos. Você compra pipoca+refri+diversão+beijos da gatinha ou do gatinho+mão-boba+risos e piadas previsíveis e, pronto!, a noite está perfeita. Mas ir ao Iguatemi, pra mim, não tem jeito. Saio de lá mal por ter me divertido. E ir ao Dragão é bom demais. Saio de lá muito bem por ter sofrido.
"Prefiro não mexer nas minhas idéias, deixá-las quietinhas", diz ele. É medo?

08/03/2005

Então é natal

Olha, as mulheres que me desculpem, mas não vou dar parabéns pelo Dia da Mulher coisa nenhuma.
As brincalhonas de plantão podem dizer que é inveja ou coisa assim. "Ah, vocês nem têm um dia só do homem". Não precisa. O homem domina o mundo, seja por força ou por estupidez. Ou seja pelos dois.
A mulher já é violentada pela sociedade - leia-se masculina e feminina - diariamente, desde que a mulher é mulher e o homem é homem. É da mulher a profissão mais antiga do mundo (mais antiga e mais estuprada). É a mulher que sofre pela família, mesmo quando esta nem era instituída. É a mulher que se dobra pra ser trocentas personagens no dia-a-dia. Nada mais merecido que um dia só pra ela, não? Pelo menos que não fosse um dia que a minimizasse. Aí sim.
O Dia da Mulher não é uma mera homenagem. Primeiro, passa pela cultura positivista. E odeio o Positivist Way of Life. Chega de ícones e símbolos. Chega de datas e nomes. Chega de fatos marcantes sem motivos e questionamentos por trás do palco. Chega dessa história ridícula, linear e progessivista.
Segundo, é uma data meramente comercial. Assim como o Dia das Crianças, dos Pais, das Mães, o Natal... Que? Alguém vai ter coragem que nossa singela sociedade ainda guarda os significados das datas comemorativas? Bem, talvez essas datas, com exceção do Natal ou da Páscoa, nem sequer tenham algum significado senão o lucro.
Não, não quero transformar as mulheres ao meu redor em coisas e em motivos para datinhas vermelhas no calendário. Já chega elas terem que se vender pra não morrer de fome. Já chega elas terem de agüentar "gostosa!", "delícia!", "tesão!" e mãos-bobas de estranho em show ou similares. Já chega elas ganharem menos no trabalho. Já chega agüentarem maridos bêbados. Ah, pô, vá a merda esses dias "especiais".
De que adianta eu demonstrar homenagem às mulheres durante um só dia do ano se nos 364 restantes eu solto piadinhas infames pra todas que passam por mim? Haja hipocrisia...
Pronto, acabou saindo minha "homenagem" às mulheres no dia delas. Parabéns, então... E emancipem-se. Sempre.