28/07/2010

O caminho da escrita

Escrever pressupõe ler. Ou a escrita sucede a leitura. E levo isso tão ao pé da letra que cada parágrafo escrito é fruto de um tortuoso parto - este, um recorrente caminho de ir e vir. Vou, mas volto sempre, às vezes mais que o necessário, às vezes desenfreado, vetor negativo, e cada coisa escrita é relida tantas vezes que toca a perda de sentido - como aquela palavra tão repetida e repetida e repetida a ponto de quase esmaecer em sua significação.

Para cada coisa escrita, dezenas de leituras, camadas de palavras amontoadas, versões rasuradas, frases dignas de citação não finalizadas. Tem alguém que releia tanto quanto eu?

31/05/2010

Tecnologia invisível

A tecnologia some no nosso dia-a-dia. Só nos damos conta de sua importância quando ela nos falta. É mais ou menos isso que tenho lido ultimamente, e é muito disso que tenho vivido. Durante uns 2 meses, nunca um espelho de verdade fez tanta falta. Nessa situação, barba e cabelo são incógnitas. A própria identidade o é para quem não tem como se ver - e que essa compreensão possa ser extendida para além da visão de fato.

25/05/2010

Too too too much information

Baixo mais músicas do que posso ouvir, quero mais livros do que posso ler, baixo mais filmes do que posso assistir, assino mais feeds do que posso acompanhar.

Ainda bem que nem de séries eu gosto.

24/05/2010

Comendo com os olhos

 Sem falsas modéstias, posso garantir que a foto está mais suculenta que o real.

20/05/2010

Sobre os lugares

Apesar de a comunicação cada vez mais atravessar os espaços por meio das tecnologias da comunicação e informação, o lugar se mantém como uma importante variável em toda comunicação, e reciprocamente todo lugar é constituído por tipos particulares de comunicação.(Paul C. Adams, Geographies of media and Communication)

Nunca pensei tanto sobre lugar e espaço - na pele, inclusive.

18/05/2010

Artifactuality

In artifactuality, Derrida reminds us that no matter how singular, irreducible, and stubborn the reality is, it always comes to us by way of television’s fictional fashioning. “Live” is not na absolute “live”, but only a live effect, an allegation of “live”.
Esteja dito.

17/05/2010

Letargia

Os últimos dias têm sido difíceis, e a dificuldade é só uma: falta de coragem. Pode ser que a famosa preguiça baiana esteja já me atacando, quem sabe... Ou é apenas o tempo por ora frio que me convida para uma soneca. Nos intervalos de uma rotina intensa, mente e corpo pedem descanso, pão, circo, diversão e água. Sei dessa necessidade, mas também das outras tantas, principalmente da obrigação de dar conta de certos textos enfadonhos, às vezes chatos, às vezes difíceis, às vezes os dois.

E às vezes bons, divertidos, instigantes, é claro, mas nem sempre, ou só às vezes.

14/05/2010

Desemprego zero

As loiras gostosonas dos comerciais de cerveja já não mais aparecem nos VTs. Mas que ninguém se preocupe, que emprego não lhes falta. Agora elas são atrativo - ou recheio, vai saber - de revista de tecnologia.

Que ninguém se assuste se a próxima capa da Playboy for um netbook ou um smartphone, por exemplo.

09/05/2010

Lá e de volta outra vez

Toda ida pressupõe uma volta, mesmo que esta não ocorra. E quem volta já não é mais o mesmo. O fato de colocar o pé fora de casa já é uma mudança, e tudo o mais talvez decorra daí, pois cada passo sucede a outro e precede o seguinte. É óbvio, mas precisa ser dito.

Ir é também uma forma de mudar a visão. É uma luz que se lança aos olhos, o que pode clarear a vista ou cegar completamente. De ambas as formas, ao que parece, o que incomoda não é a volta, mas ver que quase tudo aquilo que você deixou pra trás ainda continua mais ou menos inalterado.

A noção de tempo é difere largamente para quem vai e para quem fica.

As ruas que deveriam estar prontas? Não estão. Um metrô lendário? Continua lenda. Apresentadores de TV falando as mesmas bobagens? Continuam falando as mesmas bobagens.

Ter passado um tempo em Salvador só me mostrou como eu gostava de Fortaleza, mas é preciso notar que eu espero mais de minha cidade. Mais de muitas coisas: mais desenvolvimento, mais humanidade, mais diversidade, mais mudanças, mais gentileza... Não dá pra ficar parado. Não dá pra ver a cidade parada também.

07/05/2010

Correr macio

Depois de 3 meses, uma estranheza imensa. Voltar a dirigir um carro é como ter uma extensão no corpo: uma prótese ou um novo pedaço a ter vida e a precisar ser guiado - e não isso que todo veículo pede, de fato?


 De imediato, não se reconhecem seus limites, seus modos, sua aspereza ou sua maciez. Mas é questão de tempo, de conquista. Não vou chegar aos trezentos por hora, mas volto a zunir como um novo sedan.