23/11/2011

No que se transformam as pessoas?

No que as pessoas se tornam? Essa pergunta tem me acompanhado os últimos tempos por simplesmente me assustar diante das transformações pelas quais pessoas conhecidas a longo prazo têm passado. Acho assustador. Porque, no fundo, a vontade é que uns e outros fiquem sempre do mesmo jeito - especialmente quando fomos e desejamos retornar, e esse desejo é acompanhado de encontrar tudo, ou quase tudo, do jeito que foi deixado. Nem melhor, nem pior.

O pior é saber que as pessoas são dinâmicas, principalmente os amigos, que, em constante ebulição, mudam de emprego, de estudos, de ramos de atuação, de companheiros, gostos musicais e ambiente sociais. Mudam de opinião também, mudam de telefone, de endereço, de estado civil, de cidade e estado, às vezes até de país. Mudam a própria temporalidade, a inteligência também, mudam o jeito de ser e de se vestir, de posar para fotos, de se enquadrar e de se deixar enquadrar. Muda tudo, às vezes até o que nutria as relações - que nada é infinito, tudo precisa ser cultivado.

No que se transformam as pessoas? Complicado mesmo não é não saber essa resposta. Complicado é não saber se olhar e se perguntar: e eu, no que me transformo?

07/11/2011

Um anúncio bom

Dois anos atrás, me meti numa seleção de mestrado. Era novembro, e Salvador fazia um calor infernal. Acho que nunca havia sentido uma quentura daquela. O Ceará é um forno, é verdade, e eu até conhecia o tempo dos infernos de Sobral e Teresina. Mas sentir-se cozido ao invés de assado ou frito é outra coisa. Pois era assim que me sentia naquele úmido e calorento mês de novembro de 2009.

A sensação era de panela de pressão. Dupla, triplamente pressão. A situação era toda estressante, a tensão estava nas minhas costas sob a forma de mochila. Tudo sufocava: o medo do fracasso, o nervosismo e o calor, principalmente.

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Dois anos se passaram e esse novembro de 2011 já não está tão quente assim. Algumas nuvens vão tampando o céu e a temperatura varia com cautela. Mas no geral, nada de calor. Tem chovido bastante, com algumas pausas aqui e acolá. Como, aliás, se a cidade toda precisasse ser lavada.

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Amanhã é outra entrevista, agora para doutorado. É um passo grande, mas bem sei que posso dá-lo. A situação já é outra. Não só o clima mudou, como também o modo de enxergar as coisas, a confiança, as perspectivas. É engraçado encarar a transformação, o crescimento, os erros e acertos dados ao longo desses anos tão intensos.

O que eu espero de amanhã? Sinceramente, não é sorte ou coisa assim. Só espero que o tempo fique tal como está hoje, e não como há dois anos. Que não seja aquela panela de pressão fazendo bolhas brotarem da pele. Que não tenha aquele sol quente queimando os braços. Que não molhe a camisa inteira, nem faça pingos caírem da testa. Só quero o tempo como um anúncio bom.

02/11/2011

No feriado, nem café salva

Há de se compreender que feriados não são apenas institucionalizações, mas um complexo estado de espírito. Nessas situações, corpo e mente não funcionam do modo para os quais os programamos antecipadamente. "Vou fazer isso", "vou concluir aquilo", por exemplo, não passam de divagações nesses contextos. Há de se convir que guardamos uma intimista relação com aquilo que nos cerca. Não somos seres desambientados, pois: sugamos o movimento e a sensação exteriores, somos influenciáveis, moldáveis, conduzíveis, e toda nossa obstinação, toda nossa capacidade de racionalizar se perde diante da ausência de movimento lá fora.

É claro que o contrário também pode servir: ao invés de usar o feriado como um descanso, aproveitá-lo como oportunidade de adiantar nosso trabalho (e adiantar aqui serve até para todas aquelas coisas que já estão atrasadas). Mas hoje exatamente não é bem o dia pra isso. Nesse 02 de novembro, finados, me sinto mais letárgico que vívido. Ainda assim, assumo também, algumas fornadas vão sair. Ou pelo menos precisam sair.