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Jogando o olhar rapidamente, é possível notar de tudo: livros para um estudo específico, livros variados, livros para, digamos, fins diletantes, livros na estante, livros no criado mudo, livros servindo até de base para uma coisa ou outra; xérox de livros sobre um tema específico aqui, impressões sobre outro tema ali e mais outras folhas soltas acolá. Metódico que sou, fico sempre a procurar um modo de organizar, categorizar, calar, enfim, o monstro do caos que teima em surgir por gênese espontânea. Esteja dito, há um criacionismo no universo do quarto: tanto menos se colocam as coisas em seus lugares - ainda que estes sejam inventados autoritariamente - mais elas teimam em andar e explorar os espaços possíveis. É assim que se perdem as canetas Bic, os carregadores de celular e todas aquelas coisas que somem justamente quando mais são necessárias.
Não bastasse essa galhofa, os textos gostam de ir além no que tange à bagunça a preencher nosso vazio interior de todos os dias: não apenas são fanfarrões em si mesmos, dizendo coisas e desmentindo nosso entendimento, como gozam de certa liberdade em ir e vir, em sair de sua ordem ou localização, seja lá qual for, de Z a A, amontoados em pilhas ou alinhados lado a lado. Talvez eles saibam como devem estar dispostos, afinal, já que se supõe serem mais sábios que nós, os burros a lê-los. Eu devia estar sempre aqui, não ali, é como se dissessem. Uma afinidade meio à Deleuze e Guattari.
E, assim, posso dizer: toda organização é efêmera. Deixe que cheguem mais itens, novos amigos para os textos brincarem (e eles sempre virão!), e logo a bagunça volta a imperar, feito recreio de criança. No fim das contas, iremos lá, ajeitar, podar, censurar, enfileirar pedagogicamente o universo de ideias que as letrinhas tanto querem embaralhar.
