25/12/2004

Alguém já viu um chester?

Meu irmão, no ano passado, acho, levantou essa questão. Quem, afinal, já viu um chester vivo? Alguém seria capaz de dizer como é um chester?
Vai ver que chester nem existe. Deve ser uma ave qualquer, um frango especial, um peru diferente - ou vai ver que nem ave é - e as empresas, espertinhas, criaram uma capa de mito por cima dele, deixando-o saboroso, suculento, nobre e blá blá blá. E mais caro também, claro.
Chester é que nem Deus. Muitos são os que acreditam, poucos são os que questionam sua existência. E, quando perguntam, ainda levam patadas do tipo "pára de procurar pêlo em ovo", "pergunta mais besta" ou "deixa de ser revoltado". Calma, gente, calma. Perguntar não ofende. É apenas uma perguntinha...
É, mas eu vou parando por aqui com minha ligação metafórica entre Deus e chester porque estamos no Natal e, portanto, pra eu levar agressões é daqui pra li. É o espírito natalino, é o espírito natalino...
Parêntesis: já deve ter alguém dizendo "O quê?!? Esse ateu-comunista-comedor-de-criancinha-diabólico está comparando Deus a uma ave?!". E já tô respondendo "O Chester de ontem tava uma delícia".

20/12/2004

Tem proteção?

Entre marcas, públicos, estilos e preços, procurar óculos pra mim é sempre um sacrifício. Depois de muito experimentar uma variedade imensa de modelos, eis que, às vezes, aparece um ou dois pares de que gosto. Mas ainda é um olhar atravessado... E, assim, continuo sonhando com os óculos perfeitos, que estariam ali na vitrine, desprezados por todos, fora de moda, cafonas, empoeirados, até esquecidos pelos vendedores. E eu estaria passeando despreocupado por ali, e alguma coisa me faria olhar para a vitrine. E eis que eu os veria, tristes, desolados, e minha compra traria felicidade - pra eles e pra mim.
Mas enquanto esse "Dia Cinderela" não chega, tenho de me contentar em procurar em vão, comprando um ou outro par, o menos pior que eu achar. E enquanto esse dia não chega, não dou mais de 40 reais num par de óculos.
"Tem proteção?", pergunta a senhora minha mãe, já sabendo - tanto ela quanto eu - que aquela porra não tinha proteção nenhuma contra os tão temidos raios UVA, UVB, UV o caralho. Como se aquelas outras merdas de marca menor, vendidas nas Riachuello e C&A's da vida, tivessem. Como também se aqueles óculos "modernos, jovens, feitos pra gente jovem e bonita", vendidos nas "lojas mais transadas", tipo Hot Lines, Redley ou Ferrovia, também tivessem. E, sinceramente, não vou dar 600 reais - ou mais até - por um par de óculos Ray Ban ou outra merda do tipo. 600 reais paga, e ainda sobra, minha mensalidade na Unifor.
Taí, espalhem, por favor. Vai ser um prazer desfilar nas areias da Praia do Futuro, dentre pessoas "jovens, bonitas, espertas, gente de bom gosto, alto nível social e cultural", ou então nos pisos espelhados do Iguatemi, no meio de corredores abarrotados de marcas poderosas, ou mesmo nos blocos da Unifor, cortando caminho entre aluninhos medíocres que vão ganhar uma agência do papai ao se formarem. Espalhem, espalhem. Vai ser um prazer indizível andar no meio dessa gentalha com óculos escuros que nem marca têm e ainda foram comprados na Distribuidora Cearense de Óculos. Por quanto? 15 reais.

15/12/2004

Era só terem dado o número certo...

Informador um, quatro, quatro, Fulana, bom-dia, feliz natal? Bom-dia, cê tem o telefone do Núcleo de Línguas da UECE? Só um instante. É três, dois, nove, nove, vinte e cinco, zero, zero. Brigado. Informador um, quatro, quatro agradece.
Alô? Por favor, cê pode me informar quando é a matrícula dos alunos veteranos de Francês? Só um instante.
(passa a chamada)
DEG (DEG?!), pois não? Err, cê sabe dizer quando é a matrícula dos alunos veteranos? Dias 13 e 17, pela Internet (Internet?!). Não, mas é do Francês? Francês... Letras? Não, do curso de extensão, o curso de línguas. Não, aí é no Centro de Humanidades. Eu sei, mas me deram esse número aí. Não, cê liga pra sete, um, zero, zero. Dois, sete, dois, sete, um, zero, zero. Você se informa lá. Tá, brigado. Sete, um, zero, zero.
Alô, quando é a matricula dos veteranos de francês? Cê liga pra dois, sete, dois, dezenove, nove, dois. Brigado.
Alô? Cê sabe me dizer quando é a matrícula dos alunos de francês, os veteranos? Vinte e cinco e vinte e seis de janeiro. Cê já tá com o carnê quitado? Tô, tô sim (mesmo não estando).
...
Eu sei quem atendeu o último telefonema, e sei que, pela sua doçura e atenção para com os alunos, ela perguntou com toda boa intenção de me ajudar, afinal, a última prestação do carnê é também a matrícula. Mas depois de toda essa maratona ainda ouvir uma pergunta sobre minhas dívidas... é dose.

12/12/2004

Os blogueiros

A apatia, tristeza e nebulosidade do dia pareciam prenunciar. E, antes de ir pro tal encontro de blogueiros, a notícia: mãe do fulano morreu.
Foi difícil a pizza passar. Foi difícil sorrir. E foi difícil encarar o ambiente carregado do local, encarar o olhar distante do amigo, encarar certas convenções sociais. Encarar a morte sem saber o que dizer a não ser "conte com a gente" ou algo do tipo.
Depois vinha o tal encontro, o amigo secreto. Que, de tão secreto, nem se sabia qual era o amigo. Suspense até os últimos instantes.
Se antes foi difícil encarar o clima pesado do velório, agora era difícil encarar o clima descontraído de bar. "Não quer beber algo forte?", alguém pergunta. Deveria ter tomado algo forte de verdade e me deixar ficar um pouco mais suspenso do que já estava.
Mas foi bom. Foi legal encontrar pessoas que se parecem em algumas coisas com você. Pessoas que escolheram um dado veículo de comunicação, um veículo já meio em desuso, ofuscado pelo brilho de outras coisas. Pessoas que escolheram a palavra - sempre tão venenosa palavra - para expressar aquilo que se passa em uma instância tão pessoal. E escolheram arregaçar pro mundo os sentimentos e pensamentos turvos, meio que sem medo de ouvir certas coisas de volta.
Quer saber? Eu acho que... parabéns pra nós, que, apesar de tudo, estamos passando por cima da pasteurização e da idiotice generalizada da Internet. Parabéns pra nós que temos um conteúdo. Mesmo que possa ser fútil pra alguns, mas, pelo menos, é original.

08/12/2004

Despedida?

Teve todo um jeito de despedida: gravar o CD de backup e sentir, pela primeira vez, que o fim está bem próximo. Mas não sei. O futuro imediato, que se esconde na esquina da frente, ou foge na curva a seguir, reserva surpresas, coisas boas e coisas ruins. Certeza, certeza, nenhuma. Apenas desejos, vontades. Que, dependendo de "sim´s" poderosos, não ficam nunca no "não", mas sempre, sempre no "talvez".

05/12/2004

Prisioneiro do tempo?

Ele parou de funcionar do dia 28 para o dia 29 de um mês qualquer, as 11:44 da noite. Eu gostava dele, era bonito, elegante e tal. Não tinha minha cara, mas eu gostava mesmo assim.
Parara de usá-lo já há um certo tempo, porque ela vivia dizendo que era eu preso às horas. Querendo ser livre - e querendo que ela parasse de dizer isso -, deixei-o de lado.
...
Hoje, já se passaram mais de 2 anos, e continuo preso ao tempo.

02/12/2004

O prazer instanâneo

Pensado há alguns dias, escrito hoje.
Uma noite de sono, um almoço, um selo de despedida, um abraço apertado, uma tarde com os amigos, um fim de semana na praia, um carnaval na serra, uma noite de sexo, um chiclete ou um bombom qualquer, um sorvete que se derrete, ou um picolé, o avião ao decolar, o avião ao aterrissar, o frio na barriga, o orgasmo, a chuva à noite, o loop da montanha-russa, um livro bom, um bom livro, um disco legal, um show legal, um filme bom, uma peça boa, a companhia de alguém...
Seria a efemeridade uma condição sine qua non para o prazer?

Cheiro de recomeço

Cheiro de recomeço, de tinta fresca. Sim, as paredes mal sairam da reforma, e já estão sendo expostar para quem queira ver...
O outro blog, o Mundo Fragmentado, já não dava conta... O Weblogger também não dava conta... E, pra descarregar tudo daqui de dentro - é, um vômito, por que não -, tive de criar outro espaço... Esse com mais estilo, com uma cara nova, com a tinta fresca ainda a queimar meu nariz.
Entre, fique à vontade. Quem me conhece, sabe que meu blog não é de frescurinhas: "Ontem saí pra não sei onde, hoje fiz não sei o quê, amanhã vou falar com não sei quem...". Quem não conhece, vai começar a conhecer. Mas só esteja aqui se tiver a fim de nadar no meio de palavras densas, se não tiver medo de se afogar em meio a elas, se tiver a fim de vencer a maré que elas formam. Caso contrário... caso contrário, fazer o quê, né?
Ah, e, por favor, dôe um grifo, quer dizer, um comentário.