29/10/2011

Preparação estética

Em outro momento, dizia que nem sempre estamos preparados para algumas obras - naquele caso, livros. E o mesmo para discos? Veja que agora pergunto, não afirmo nem trato como axioma.

Apesar da incerteza, tudo indica que sim. Álbuns musicais são coisas complexas. Cresci lendo bons livros - mais por obrigação do colégio que por gosto ou influência familiar, confesso - mas não tive uma boa educação sonora. É complicado, ao menos para mim, desacelerar e ouvir discos inteiros, do começo ao fim. Fico impressionado com quem faz isso, e até sinto certa inveja de quem tem essa capacidade. Não é pra mim.

Mas a questão aqui não é tanto a ter a paciência suficiente de deixar o álbum rolar, mas de estar preparado para ele, para os artistas e para as mensagens - o que é dito, como é dito, com que intenção.

Me pego há dois dias ouvindo um disco de 12 anos atrás. O ouvi muito naquela época e, de repente, me dá na telha de ouvir agora de novo. É engraçada a obsessão repentina, porque não o faço por admiração ou gosto pela banda - não consigo, por exemplo, reconhecer grandes qualidades nela, embora não pense que essa seja uma condição para a fruição estética da obra.

O que me faz ouvir a tal obra? É uma pergunta sem respostas, tanto quanto não sei de fato se é preciso estar preparado para certos discos. Poderia, assim, dizer que precisava estar preparado àquela época - o que bem pode ser verdade. Mas essa talvez seja uma consideração muito falha. E se ainda hoje não me sinto preparado para ela?

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