26/02/2005
Um elogio
O elogio dessa pessoa foi importante. Me fez sentir um pouco de vida a mais. Me fez lembrar dos velhos tempos, nos quais eu penava pra fazer um desenho legal. Dos tempos em que a mesa verde ainda estava armada, não era ocupada por nada e era usada de fato. Ah, força pra recomeçar, ainda que fraca, mas talvez já seja o suficiente. Só por causa de um elogiozinho à toa...
Brigado. =)
19/02/2005
O Rodrigo ganha fácil
Eu sempre passava por aquela grande casa, situada numa avenida bastante movimentada. Há alguns anos, ouvi dizer que era a quinta ou terceira - não lembro bem - maior avenida do Brasil em extensão. Não me admiro se for verdade, e se ainda continuar a ser, porque já tive a oportunidade de percorrê-la de cabo a rabo e pude ver o quão imensa é.
Voltando à casa, eu a via todos os dias, porque se situa bem em frente à minha parada de ônibus, nessa tal avenida gigante, no meu lamento diário de ir à faculdade todos os dias, fatídica rotina que já dura mais de 3 anos e que, de tão enfadonha, vai se demorando cada vez mais, sem previsões muito exatas de quando vai acabar. Me parece mesmo que ela não quer findar, não...
Mas ali estava - e ainda está - a casa, de grande porte, como já disse, altiva, duplex, típica casa de classe média alta. Diria que pelos tempos, e por outros fatos que vocês verão logo mais, que aquele lar havia sido erguido pela força de um homem, apenas, desses que viveram nos tempos em que o seu emprego era suficiente por si só para se viver bem, e a mulher apenas decorava a casa, dando o toque de lar-doce-lar ao até então insosso canto onde iniciaram a nova morada. Diria mais. Diria que o homem da casa fora, nos tempos pretéritos, um militar de média patente, ou mesmo dono de algum negócio nem muito grande, nem muito pequeno, mas que teve que trabalhar muito para viver bem. Pelo menos foi essa impressão que tive ao vê-lo e ao conversar com ele. Mas entendam por que tive de falar com ele.
Meu celular deu problema. As teclas talk e end deixaram de funcionar depois de uma queda, e, na tentativa ajeitá-lo eu mesmo, abri-o, e quebrei a tampa. Aí danou-se. E já era hora mesmo. Uso-o desde 2001 (e ele é pelo menos de 2000), e até então o único problema que ele tivera foi a frouxidão da bateria - e esse é um problema comum demais pra ser levado à sério nos modelos Nokia 6120i, esses antigões, esbeltos, duros e até mesmo um tanto pesados, se comparados aos modelos atuais. Dizem que só servem pra quebrar casquinha de caranguejo (mas também servem pra quebrar a cabeça de quem diz isso), mas quem o possui sabe o quão é resistente esse modelo. Dizem ser dos melhores, até. E eu não o trocaria por um outro qualquer, e não tenho essa intenção tão cedo, porquanto durar seu funcionamento e sua utilidade: telefonar e receber chamadas, receber e enviar mensagens e servir de memorex e despertador. Pronto, pra mim tá perfeito, mesmo que a agenda telefônica dele já esteja lotada, mesmo que, de vez em quando, eu tenha que apagar um número não utilizado para pôr outro mais útil em seu lugar, mesmo que a bateria frouxa viva pregando peças em mim, como desligar em momentos inoportunos ou descarregar no meio de uma conversa.
Sim, mas o celular estava com defeito. Sem as teclas talk e end, eu nem podia fazer nem receber chamadas, e a única maneira de me comunicar por meio dele era com as mensagens. Não sou do tipo que vive recebendo ligações no celular, mas fico pouco tempo em casa, e, portanto, o conceito dele sobe no quesito utilidade. Então não dava pra continuar com o aparelho desse jeito, e lá vou eu procurar algum canto pra consertá-lo. E o Thales Cell foi o segundo lugar visitado. O primeiro só tinha duas cores de carcaça: rosa e verde-limão. Não dava, né? Mas procurei ir no Thales por questões de preço, também. Não que o primeiro lugar, o Nakakunda (sim, este é o nome da lojinha, e já que falei do Thales, tenho que falar do Nakakunda) estivesse caro, mas podia ser que o Thales fosse mais barato, além de ser pertinho da minha casa.
Mas o Thales já tem um inconveniente logo na entrada: é que ele fica no segundo andar na tal casa que lhes falei lá no início, e, pra subir, é preciso passar pelo jardim. Fácil de superar, principalmente porque, logo antes de entrar, encontro uma mulher tomando o mesmo caminho que eu, e eis que lhe pergunto se "o negócio do celular é ali em cima", ao que ela me responde afirmativamente, e me procura o suposto Thales dono do empreendimento que, também supostamente, leva seu nome.
Aí um susto: tem um salão de beleza lá em cima. O Thales Cell, com uma propaganda-estardalhaço no muro da casa, na verdade é uma bancada na varanda, apenas isso, e dentro da casa funciona um grande salão - que não tem propaganda nenhuma em muro nenhum. Além do susto, houve o inconveniente de estar no meio de um monte de mulheres, no ambiente delas, e só você de homem lá. Só entende esse embaraço o homem que já entrou num salão de beleza repleto de figuras femininas analisando-o dos pés a cabeça, e da cabeça aos pés em retorno, não exatamente com uma conotação sexual nesse olhar, mas com uma atenção analítica vexatória.
"Olha, procura o Rodrigo lá embaixo", pede a mulher que eu havia encontrado, e lá desço, então, atrás de um tal Rodrigo. Vai ver que Thales é o filho do Rodrigo, sei lá. Bato palmas, e aparece, vindo da sala, um senhor já de certa idade, de bermuda, sem camisa, barriga grande, mas não exatamente gordo, e uma bela barba branca, não completamente cheia, mas bonita, mesmo assim. Provavelmente o chefe da casa, aquele que eu supunha, alguns parágrafos atrás, tê-la levantado.
"Por favor, o Rodrigo está?", pergunto. E ele diz "Não sei se ele já chegou, acho que ainda não chegou, deixa eu ver", e grita pelo Rodrigo. "Rodrigo! Rodrigo!" Grita olhando pra cima, dando a entender que ele achava que o Rodrigo se encontrava no andar de cima. "Não, já vim lá de cima, me mandaram procurá-lo aqui embaixo", digo. "Ah, então ele não chegou", me responde o senhor, que começa a reclamar suavemente do Rodrigo, como os típicos pais que se perguntam onde que erraram. "Ele ainda não chegou. Já era pra ter chegado. Geralmente, ele chega às oito, às vezes chega às quatro, mas já era pra ter chegado (e já era quase dez da manhã). Ele deve ganhar fácil, porque se ganhasse difícil, já tinha chegado." "Pois tá, venho outro hora. Brigado.", respondo, conformado em esperar que o Nakakunda ache uma carcaça de macho, digo, preta, ou então em ir atrás de outro canto pra consertar meu celular. E vou embora, achando engraçado o tom de preocupação e desgosto que o senhor, provavelmente pai do Rodrigo, o farrista, me apresentou.
Ô, Rodrigo! Acho que você perdeu um cliente... Menos dinheiro pra você gastar nas suas farras... hihihi... Mas tudo bem. Você ganha fácil, né? hihihi...
18/02/2005
A semana
- Ganhei um beijo na mão que me deixou atordoado. Não gosto de beijos na mão - me sinto posto num trono de rei. Mas esse até que não foi ruim, apesar de ter me deixado desconcertado.
- Também ganhei de uma professora um beijo no rosto que me deixou muito surpreso (pois é, eu também recebo beijos de docentes, sabe...). De beijo no rosto, sim, eu gosto, e esse foi bom, acompanhado de um abraço caloroso - apesar de o aniversário ser da professora, não meu.
- É difícil demais manter os compromissos em dia. Principalmente se alguns deles não dependem só de você.
- Encontrei várias vezes uma pessoa, e ela parecia estar com algum problema a ser resolvido comigo. Numa dessas vezes, me deu a impressão de estar com algo engasgado na garganta e que precisava falar. Não falou. Mas deveria.
- Essa mesma pessoa também me agradeceu muito uma coisa que fiz por ela (e não para ela). Não precisava tanto, não.
- Sonhei que abraçava muito um amigo meu, como se ele fosse embora ou eu precisasse muito do ombro dele. Foi estranho, fiquei baratinado.
- Meu antivírus resolveu se revoltar e não ser mais gratuito. Tô lascado. E já peguei dois vírus.
- Foi difícil, mas ainda estou vivo. Primeira semana como professor de carteira assinada e tudo (mas a carteira ainda não tá assinada, claro). O estresse foi alto, e me preocupo se ainda será daqui pra frente.
30/01/2005
Porque teve um dia que teve um garoto que teve medo de ir na casa dum amigo na rua de trás. E a mãe-dona desse menino ainda fazia dizer "é, num vá não, fique aqui mermo". E diz que se deve ouvir os pais, porque eles sabem o que é melhor pra você. Mas se o menino não tivesse desejado dar um basta à prisão que o cercava - e se não o tivesse feito mesmo -, aí ainda ele estaria abraçado à mãe, deitados ambos na rede estendida na área, a pensarem que pode chover, a assistirem à TV, a curtirem o marasmo da tarde fria ou quente, tanto faz, desejando, os dois, uma vida diferente, sem coragem sequer de sair do canto.
E o menino acabou descobrindo caminhos. Muitos. Gente também. Muita. Acabou sorrindo, chorando, sofrendo em alguns momentos, sendo alegre em outros. Topou, caiu, bateu a cabeça no chão e na parede. Quase a partiu ao meio até. Ficou gripado, encatarrado que só, muitas, muitas vezes. Suou, ficou vermelho, tirou notas altas, boas e baixas. Fez bobagens que não deveria ter feito, e não fez outras que deveria ter feito. Mas, enfim, viveu, aprendeu a viver, saiu da rede, da área, da casa, e vai sair de outros muitos cantos mais, e ir pra tantos outros, no que depender da sua vontade.
O garoto só pede que não o lembrem demasiado da sua infância, falando de brincadeiras ou adjacências, de "como era bom aquele tempo". Porque, para o garoto, tempo bom é o de hoje. Aquele lá não foi. E, por mais que ele não acredite na felicidade, tempo bom pra ser "feliz" - entre muitas aspas - é daqui adiante.
26/01/2005
é a velhice chegando
Esquecimento, confusão, trocas estranhas, incompreensão...
Paciência, calma, resignação. Porque... fazer o quê?20/01/2005
Ingrata
Ingrata.
Mas eu a adoro. Mesmo assim.
16/01/2005
Sem tempo para sofrer
Eis que a melancolia ataca de tempos em tempos, dizendo "eu sou uma tristeza sem motivo de ser. Mas cá estou, pra te atazanar, te perturbar, te deixar mal, cheio de mal-estar".
E eis que parece não haver outro jeito de se livrar dessa melancolia chata - ou melhor, camuflá-la - senão estourar o limite do tempo, deixar a agenda lotada, sem tempo pra respirar, sem tempo pra pensar, sem tempo pra sofrer, portanto. Porque tantas ocupações assim são as únicas coisas que - perdão pelo pleonasmo - ocupam a cabeça do melancólico - além da própria tristeza, claro. E, paradoxalmente, a falta de tempo gera um ciclo vicioso: pode não ter tempo pra sofrer, e o melancólico também não tem tempo pra procurar um remédio pro sofrimento. A não ser que as reviravoltas da vida revirem tudo - desculpa o pleonasmo mais uma vez - e façam novas coisas acontecerem.
No fundo, acho que a melancolia está ligada à insatisfação com a vida. O melancólico deve levar uma vida da qual não gosta e, insatisfeito, se faz melancólico.
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Há tantas coisas que sufocam, que há momentos em que não dá pra perceber o que que sufoca. O que te sufoca, hein?
Precisando daquele abraço.
07/01/2005
Toda a crueza do mundo numa fatia de pizza mais barata que tiver
Chega a família, esposa, marido e filho pequeno. Se sentam, a mulher começa a falar, infeliz que é, isso é uma irresponsabilidade, isso sim, vem um carro doido e bate atrás, parece reclamar de como o marido estacionou o carro, e o marido tá bom, tá bom. E depois sai pra mudar o carro de lugar.
Ela: loira, cara de velhaca, pelos 40 anos, acabada, cansada da vida difícil que leva, ou deve levar. Manchas no rosto, ombros caídos, o seios também devem estar, com alguma certa barriga, mas nada de gorda. Ele: enorme de gordo, típica barriga de cerveja e de ronco depois do almoço, respiração cansada de tanta gordura no corpo, míope de dar pena, suado, fala trôpega e embolada, coisa nitidamente para poder ser aceito pelos amigos machistas e ditos porcos, machos sujos que falam alto e coloquial, cospem no chão e chamam de gostosa cada baranga que lhes passa na frente. Desses tipos que vão ao estádio aos domingos, bebem litros de cerveja, comem de boca aberta, dão umazinha por semana com a esposa - e outrazinhas com qualquer vadia - e ainda batem na mulher. A criança: não sei. Comum demais para ser percebida com atenção.
Fiquei penalizado de ver a mulher com aquele homem. Pois seu olhar mostrava a tristeza que era conviver com ele. Deveria ser um funcionariozinho de merda de qualquer empresa ou de alguma repartição pública - é, repartição pública é mais provável -, sem ambições de qualquer natureza. E ela deveria sofrer todas as noites por sempre se lembrar da mãe dizendo não case com esse homem, você só vai sofrer. Hoje está aí, com um boi que não deve dar no couro, e que ainda deve chifrá-la, e ela, antiquada, esposa à moda antiga, fiel ao marido, não procura outro homem, porque aquele a quem seu pai entregou na igreja, no fatídico dia do seu casamento, fora - e há de sempre ser - o único homem da sua vida.
Também tive pena dele, que deve ter a auto-estima lá embaixo, não pelo seu corpo ou pela sua fala ou pelos seus óculos, mas pela vida que leva, porque tem de mostrar pros amigos um nível de vida baixo - aquele que seu salário permite -, e ainda tem de aturar o fato de seus amigos conhecerem a mulher com quem se casou, uma mulher chata, feia, que só reclama, reclama pra caralho, reclama de tudo, insatisfeita que está com a vida que leva, com um marido daquele e com um filho pra criar. Tive pena dele porque não pode comprar nem uma pizza mais elaborada além da mista, quanto mais um carro melhor, e precisa continuar com o velho carro que o acompanha há anos - um Chevette ainda conservado. Mas pra pegar coisa melhor - e digo mulheres melhores - ele precisaria de um emprego melhor e de uma coisa melhor - digo carro melhor - o que também precisa de antemão de um emprego melhor.
Do filho também tenho pena. Simplesmente por ter nascido numa família e ser filho de uma mãe neurótica e seca e de um pai similar a um porco. Ami, bote aí pro meu filho, fala ao garçom, pedindo a este que coloque um pedaço de pizza pro seu pequeno, mas com a propriedade e afirmação de um corno. Bote aí também pra mia muié também, far favô. Está em pé, como se estivesse num posto bebendo com os amigos e ouvindo o forró alto do carro, e ainda porta um copinho de plástico na mão, e de vez em quando o leva à boca. Penso no que tem ali, talvez cerveja, mas há apenas gelo. Está com calor, sua feito um porco - porco que já é - e o gelo aplaca um pouco a quentura. E o senhor, boto pro senhor?, pergunta o baratinado garçom, sem saber se serve ou não o chefe daquela família, sem saber se o homem vai comer ou não. Não, pó deixá, eu bó depois, fala o chefão, sem vontade de comer, ou fingindo que está sem vontade. E sempre a fala embolada. E me deu nojo vê-lo tomar a água do copo, colocando a língua meio pra fora, encostando nos lábios, como se fosse dar uma tossida vinda lá do âmago.
Quer mais?, pergunta a mãe ao filho, e o menino não responde, ou se responde fala baixo, mas mais parece um mudo, quieto que é. E quem responde é o pai, qué, ele qué, qué sim, bote aí, pó botar, ele qué. E a mulher continua a reclamar da vida, reclama de tudo, dos preços, do calor, dos engarrafamentos, só não tem coragem de reclamar da barriga do marido que a esmaga nas raras vezes que fodem, não tem coragem de reclamar do carinho que o marido não dá, não reclama da insensibilidade do homem, que pensa que tudo que lhe basta é ter sustento e conforto no lar-doce-lar, não reclama que ele sai pra beber com os amigos e a deixa tomando conta do menino nas noites de sexta e de sábado, e enquanto aquele bosta tá lá, se divertindo, estou aqui eu, só no meu home-sweet-home, essa buceta de vida de merda.
Ami, pó botá aí pra viage? E o garçom leva a pizza que sobrou, muitas fatias, coloca num saquinho, embaladas num papel, e a mulher volta a reclamar logo que o garçom se afasta, eu não daria dez reais por essa pizza não, não daria nem a pau, fica falando feito abestada que é, sem nem olhar pro marido, com uma convicção enorme de que se comprasse aquela bosta que acabou de comer e ainda deu ao filho estaria fazendo um péssimo negócio. Daria nada, nem a pau, fala ao tempo que se levanta, daria não, ó, nem a pau.
E vão embora, os três, bó, bó, fala ele, já andando, desajeitado. Ela já se calou, mas ainda deve reclamar durante todo o trajeto até a casa, não do preço da pizza, mas de tudo no mundo, quando queria reclamar era da vida que leva, e ele calado, cansado porque a barriga não o deixa respirar direito, cansado também da vida que leva, e o menino, este, que deveria falar, visto que é novo como é, este mal abre o bico, tímido talvez, mudo quem sabe, e sabe-se lá as coisas que afetam a vida daquela família, clássica família de classe média baixa, infeliz, com sonhos, vontades, desejos, sem esperança e sem dinheiro, tão pouco dinheiro que só dar pra comprar uma mista que vem na promoção com refrigerante por dez ou onze reais.
04/01/2005
Às 4 da manhã
Senta-se à mesa, pega o requeijão, pega as bolachas e põe-se a comê-las, as bolachas com o requeijão. Bolachas duras, croooc, croooc, ótimas para ele que, quando se encontra desse modo, tudo o que quer é morder algo que force suas mandíbulas e o faça sentir dor nas articulações. Masoquista, talvez.
No silêncio da madrugada, pensa, sonha, deseja que não apareça ninguém para estragar seu momento particular, íntimo como uns instantes de masturbação. É tímido, não deseja nenhum familiar apreciando sua boca a atacar as bolachas. É um momento privado, entre ele, as bolachas e o requeijão. Que o silêncio, a escuridão e a inércia continuem. Que fiquem todos em seus quartos, dormindo, dormindo.
Mas é preciso pôr mais intrusas. As bolachas não estão legais. Elas têm recheio doce, o que não permite sentir o gosto do requeijão. É preciso contraste. O salgado e o doce brigando. E convida para a orgia as torradas. Que estão velhas, é verdade, mas vêm a calhar não como idosas, mas como experientes cortesãs.
E assim ele fica, a provar de uma e de outra, alternadamente, sempre com o requeijão à mão, atacando ora a bolacha, ora a torrada, degustando-as, até que o nervosismo se esfrie e fique tudo calmo outra vez.
Toma uns goles de refrigerante de uva - como se fosse vinho - e pronto, hora de dormir.
03/01/2005
Arrumando o quarto
Saldos: 4 sacos de lixo pequeno e 1 grande; mais espaço no meu cubículo e, portanto, mais área livre pra circulação; alguns espirros; uma nova aparência; e um pouco mais de organização.